Uma Conexão Profunda com o Azul e Branco
Em meio à euforia da Copa do Mundo, Bangladesh se destaca como um epicentro de paixão pela seleção argentina. Bandeiras em tons de azul e branco adornam terraços e varandas, enquanto murais dedicados a Lionel Messi colorem as paisagens urbanas. Para os 170 milhões de habitantes deste país asiático, que nunca viu sua seleção nacional competir em um Mundial, a Argentina se tornou um time para chamar de seu, vivenciando cada partida com uma intensidade comparável à de qualquer torcedor sul-americano.
Raízes Históricas da Adoração
A origem dessa devoção singular remonta à Copa do Mundo de 1986, realizada no México. A genialidade de Diego Maradona cativou corações em Bangladesh, e esse amor pela Argentina foi transmitido de pai para filho, criando uma paixão que já perdura por três gerações. Nurul Islam, um mecânico de 50 anos, exemplifica essa herança: “Meu pai era um grande fã de Maradona, e essa paixão já atravessa três gerações. Meus dois filhos também são torcedores da Argentina. Eles levam isso muito a sério e sempre fazem questão de comprar as camisas novas”, conta ele à AFP, com um sorriso no rosto.
A Febre das Camisas Argentinas
O impacto da Copa do Mundo é palpável no mercado de artigos esportivos de Bangladesh. A demanda por camisas da seleção argentina disparou, com lojas registrando um aumento expressivo nas vendas. Shamim Patwary, da Associação de Comerciantes, Fabricantes e Importadores de Artigos Esportivos, relata que, embora não haja dados oficiais sobre o número de torcedores, a venda de camisas é um indicador claro. Na Galaxy Sports, uma das maiores varejistas do país, as camisas argentinas representam 30% do total de vendas. Raihan Hossian, funcionário da loja, conta que “alguns pais compraram até camisas para recém-nascidos” e que “quase todas as camisas da Argentina que tínhamos, especialmente as edições especiais”, foram vendidas. O preço, muitas vezes, se torna secundário diante da intensidade dessa paixão que atinge seu ápice a cada quatro anos.
Um Sentimento de União e Esperança
Nos bairros populares de Daca, a atmosfera é de festa. Vendedores ambulantes trocam mercadorias por versões mais acessíveis de camisas de futebol, mantendo viva a chama da paixão. Al Mamum, de 55 anos, um dos vendedores, relembra: “Vi o Maradona jogar e, desde então, sou um torcedor fiel da Argentina”. Mesmo com jogos transmitidos na madrugada, o fervor não diminui. “Eu visto a camisa porque ela me faz sentir que pertenço àquele time, me dá um sentimento de união”, afirma Zakia Musanna, de 37 anos. Para a final, ela planeja repetir o ritual de 2022, assistindo à partida com o pai, revivendo a alegria da conquista do último título mundial e esperando por mais uma vitória argentina.
Fonte: www.gazetaesportiva.com
