Renovação e acusações de ‘covardia’
Marcos Braz, atual dirigente do futebol do Remo e ex-vice-presidente de futebol do Flamengo, concedeu entrevista ao GE e expôs sua versão sobre a conturbada negociação de renovação de contrato de Gabriel Barbosa, o Gabigol, durante a temporada de 2024. O processo, que se arrastou por boa parte do ano, culminou na saída do atacante para o Cruzeiro, decisão que Braz lamenta, mas justifica.
“O Gabriel sabe a verdade. A negociação foi feita, todos os trâmites, e previamente passou pelos setores que deveriam passar no clube. Foi feita uma covardia de alguns vagabundos que falaram que eu fechei um número sem estar autorizado e o Landim não assinou, e eu não podia me defender porque teria que dar detalhes em algumas situações e fiquei quieto”, desabafou Braz, referindo-se a rumores que circularam na época.
Ele ainda acrescentou que o departamento de futebol do Flamengo seguiu o protocolo usual para renovações em seus seis anos à frente da pasta. “Chegou a um momento e a determinada situação que entendiam que não teriam que renovar e andar para frente com o que foi autorizado e foi isso que aconteceu”, explicou.
Comportamento de Gabigol e negociações com o Cruzeiro
Braz revelou surpresa com a forma como Gabigol comunicou sua saída do Flamengo, logo após a conquista da Copa do Brasil. Segundo o dirigente, as conversas com o Cruzeiro já estavam em andamento e ele havia sido comunicado previamente pelo empresário do jogador.
“O Gabriel tem razão de questionar o ponto de ter sido feita a tratativa do contrato, mas talvez o modo que ele foi pontuando para fazer essa cobrança no resultado final poderia ter sido com alguns cuidados que ele não tomou”, ponderou Braz. Ele citou como exemplo a exposição de notícias que não eram pertinentes em um momento de celebração do clube.
“O Cruzeiro já tinha me comunicado”, afirmou Braz, destacando o respeito que sentiu por parte de quem negociava com o atacante. Ele também relembrou o afastamento de Gabigol em meados de 2024, quando restavam seis meses para o fim do contrato. Na época, o afastamento foi justificado pela possibilidade de o jogador atingir o limite de jogos no Brasileirão e ficar impedido de atuar por outro clube, o que poderia inviabilizar uma transferência.
Polêmicas e comparações com Adriano
O episódio em que Gabigol foi flagrado vestindo uma camisa do Corinthians foi outro ponto abordado por Braz. O dirigente reconheceu a gravidade da situação, que culminou na perda da faixa de capitão do jogador.
“Não tinha como seguir como capitão do Flamengo depois daqueles fatos e com a camisa 10, e ele entendeu. Ficou chateado, triste, mas entendeu”, disse Braz, atribuindo parte da polêmica à superexposição nas redes sociais. Ele comparou a situação com o afastamento de Adriano Imperador em 2009, argumentando que são procedimentos normais dentro do clube.
“Afastei como afastei outros jogadores em outras situações. É um procedimento normal. Com o Adriano em 2009, não jogou contra o Corinthians (na penúltima rodada) porque eu entendia que tinha que ter tido outro tratamento perto do episódio da queima do pé”, relembrou, citando também uma situação semelhante com o próprio Gabigol em 2019, quando a negociação para sua contratação definitiva foi dificultada por questões pessoais do jogador.
O futuro de Gabigol
Atualmente, Gabriel Barbosa está emprestado pelo Cruzeiro ao Santos, após uma temporada com desempenho abaixo do esperado no Flamengo. O atacante marcou o gol de empate do Peixe contra o Corinthians no último clássico paulista, evidenciando sua presença no cenário do futebol brasileiro, embora longe da Gávea.
Fonte: www.espn.com.br
