Recuperado de lesão, Lucas Moura reencontra o protagonismo no Tricolor
Após um ano de 2023 marcado por lesões e dificuldades, Lucas Moura está de volta ao centro das atenções no São Paulo. O camisa 7 tem sido peça fundamental nas últimas partidas e reencontrou o caminho do gol no último sábado (7), na vitória sobre o Primavera. Em entrevista à ESPN, o meia abriu o jogo sobre o período mais desafiador de sua carreira, a recuperação de uma grave lesão no joelho e a expectativa de retornar ao seu melhor futebol.
“Feliz de estar de volta, depois de um ano muito difícil. Sem dúvida foi o mais desafiador da minha carreira, uma lesão no joelho que me tirou praticamente da temporada inteira. Cirurgia, e volta, e a dor não me ajudava, não me deixava correr, e eu fazendo sacrifício para tentar voltar e ajudar o time, mas não conseguia. Foi um período bem complicado, bem difícil. Mas graças a Deus estou recuperado e pronto para retomar meu futebol e ajudar o São Paulo”, relatou Lucas.
O jogador detalhou o longo processo de recuperação, que envolveu diagnósticos iniciais equivocados, tentativas frustradas de retorno e, por fim, uma cirurgia. “O primeiro diagnóstico era que não era grave, ficaria algumas semanas e tranquilo. E aí fiquei oito semanas, voltei e estava me sentindo bem, mas na hora que eu tentava dar o arranque, sentia a dor, dava uma fisgada e mesmo assim eu fui forçando, achando que a dor ia sumir com o tempo e nada. Parei de novo. Aí depois falei para o doutor, vamos fazer a cirurgia para ver o que tem aí, porque não está passando essa dor. Fizemos cirurgia, limpou tudo que tinha para limpar. Voltei depois de 20 dias, era para eu ficar umas cinco semanas, eu fiquei três semanas por causa do jogo da CONMEBOL Libertadores. Voltei, e a mesma dor. E ali veio um trevo na cabeça, porque o doutor falou que fez tudo o que tinha para fazer, limpou o que tinha para limpar e a dor não estava passando. Mas enfim, graças a Deus é um novo ano e agora eu estou sem dor, consigo fazer as minhas jogadas, consigo dar o arranque. Já estou retomando a confiança depois de oito meses sem jogar, sem conseguir arrancar, sem conseguir fazer as minhas jogadas características, é normal ter um tempinho para poder recuperar, mas agora eu já estou bem, jogo a jogo, me sentindo cada dia melhor para poder retomar o meu melhor nível.”
Relação com Crespo e transição política no clube
Apesar de ainda não ter a titularidade garantida, Lucas Moura demonstra compreensão em relação ao trabalho do técnico Hernán Crespo. “A gente não tem tanta conversa assim, as poucas conversas que a gente teve ele sempre comenta de paciência para eu estar bem, mas eu sou um cara com cabeça muito tranquila, eu estou aqui para ajudar o time. Obviamente que eu quero jogar, obviamente que eu quero ser titular, mas eu estou aqui para ajudar o time. O principal é o time. E estou fazendo o meu melhor, estou me sentindo muito bem nos treinos, cada dia melhor, cada dia mais solto, mais confiante.”
O meia também comentou sobre o momento delicado vivido pelo São Paulo em sua transição política, com a troca de presidência no início do ano. “Um momento muito delicado, muito triste da história do São Paulo. Eu fiquei muito chateado com toda essa situação, não imaginava vivenciar isso. É muito triste para a nossa história, para a nossa instituição, uma instituição tão grande, com uma história gigantesca. Mas eu espero que as coisas agora melhorem. Sendo bem sincero, a gente não tem acesso ao que acontece nos bastidores do clube, o que acontece lá no Morumbis, de reunião, de votação, de conselheiros. O que a gente fica sabendo é o que sai na imprensa. E por mais que a gente fale ‘vamos entrar em campo, entregar o nosso melhor e tal, vamos esquecer tudo isso’, só se falava nisso na imprensa, então automaticamente acabava deixando a gente chateado. ‘Poxa, quem que vai ser nosso presidente amanhã? Quem que vai ser o nosso diretor?’ Então, querendo ou não, isso acaba atrapalhando indiretamente, mas a gente espera que tenha resolvido isso, que tenha passado e que as coisas agora voltem para os eixos, que São Paulo volte a ser referência como foi há alguns anos. E a nossa parte dentro de campo a gente vai continuar fazendo, dando o nosso melhor para que os resultados aconteçam.”
Rafinha como elo entre jogadores e diretoria
Lucas Moura destacou a importância de Rafinha, agora gerente de futebol, na comunicação entre o elenco e a diretoria. “Eu acho que vai contribuir muito. Primeiro pela presença dele aqui. Ele é um cara que é muito ativo, motiva a gente no vestiário, fala com a gente. E acredito que ele vai fazer muito bem esse elo entre o jogador e a diretoria. Ele parou de jogar recentemente, então entende muito bem como funciona o clube, conhece todos os jogadores, entende muito bem também da parte da diretoria, então ele vai fazer muito bem esse elo e acho que vai contribuir bastante, acho que já tem dado resultado.”
Crítica contundente ao gramado sintético
Um dos pontos mais fortes de Lucas Moura é sua oposição ao gramado sintético. O jogador reiterou sua posição, considerando a superfície um retrocesso para o futebol brasileiro. “Para esclarecer essa questão do sintético do jogo contra o Palmeiras, já estava meio que programado. Eu fiquei oito meses praticamente sem jogar no ano passado e joguei três jogos seguidos como titular. Joguei 60, 70 minutos. Joguei contra o São Bernardo, contra o Corinthians e contra a Portuguesa. Então, até para esse controle, para a gente não correr risco, e por ser o sintético também, a gente optou por eu ficar de fora. O sintético, todo mundo sabe da minha opinião. Sou totalmente contra o sintético. Acho um retrocesso gigantesco no nosso futebol, que é tão rico em tantos aspectos. Qualidade, formação de jogador, competitividade. Eu acho que o sintético atrapalha muito nosso futebol, desvaloriza muito nosso futebol. Eu acho que tinha que ser totalmente banido. Sei que tem muitos gramados naturais que são ruins, mas o sintético não tem que ser opção. Tem um gramado ruim? Vamos trabalhar para fazer um gramado bom. Não tem que tapar o sol com a peneira. Isso eu já falei várias vezes e continua sendo a minha opinião.”
Embora prefira não jogar em gramados sintéticos, Lucas Moura admitiu que pode abrir exceções em situações de necessidade para o São Paulo. “Se eu puder escolher, eu prefiro não jogar. Mas, obviamente, dependendo da situação do time, dependendo do jogo, joguei ano passado contra o Palmeiras, inclusive foi lá que eu machuquei o meu joelho, na semifinal do Campeonato Paulista. Dependendo da situação do time, um jogo decisivo, e dependendo como eu estiver, eu vou jogar, não tem como. Mas, o sintético, eu tenho certeza que 99% dos jogadores são contra. E eu acho que é um grande retrocesso no nosso futebol. Vai depender muito do momento de como eu vou estar me sentindo também, da sequência que eu fiz antes de chegar nesse jogo no sintético. Esse jogo contra o Palmeiras mesmo, eu vim de três jogos seguidos. Se eu jogo e acontece alguma coisa ali, eu perco a temporada inteira de novo. Não valia o risco. A gente optou por eu ficar de fora e voltar depois.”
Fonte: www.espn.com.br
