Do gramado sintético na Champions ao coach de guerra: os segredos do Bodo/Glimt, a sensação norueguesa que desafia gigantes

Do gramado sintético na Champions ao coach de guerra: os segredos do Bodo/Glimt, a sensação norueguesa que desafia gigantes

Com um orçamento modesto e foco em ‘produto local’, o clube do Círculo Polar Ártico inova com campo artificial e preparação mental de ex-piloto de caça para surpreender na Europa.

O Bodo/Glimt, modesto clube norueguês sediado em uma cidade de apenas 43 mil habitantes no Círculo Polar Ártico, tem sido a grande surpresa da temporada 2025/26 no futebol europeu. Com uma receita de cerca de 60 milhões de euros, um valor considerado “minúsculo” para os padrões da Champions League, a equipe aurinegra tem desafiado gigantes como Manchester City e Atlético de Madrid, e recentemente conquistou uma expressiva vitória por 3 a 1 sobre a Inter de Milão nos playoffs do torneio. Mas como essa pequena potência do norte da Europa alcança tanto sucesso?

O gramado sintético como aliado inesperado

Uma das características mais marcantes do Bodo/Glimt é o seu estádio, o Aspmyra, com capacidade para cerca de 8,2 mil pessoas. Devido à localização no Círculo Polar Ártico, a incidência de luz solar é insuficiente durante boa parte do ano, tornando inviável a manutenção de um gramado natural. A solução encontrada foi a adoção de um campo sintético, prática permitida pela Uefa mediante testes de qualidade da Fifa. O CEO Frode Thomassen defende a escolha, refutando a ideia de que o gramado artificial gere mais lesões ou ofereça vantagem esportiva significativa. “Os gramados sintéticos modernos são muito, muito bons”, afirma Thomassen, destacando que a equipe se sai melhor fora de casa do que em seu próprio estádio. Ele também ressalta que, na Noruega, a maioria das equipes utiliza grama artificial, e que a mentalidade dos atletas é crucial para se adaptar a diferentes superfícies.

A força do “produto local” e a integração com a comunidade

O Bodo/Glimt prioriza a formação e o aproveitamento de jogadores noruegueses, com uma escalação titular frequentemente composta por até nove atletas locais contra a Inter de Milão. A filosofia do clube, segundo Thomassen, é criar um ambiente onde atletas e a população da cidade se sintam integrados e felizes. Embora reconheça o sonho dos jogadores de atuarem em grandes clubes europeus, o Bodo/Glimt não se define como um “clube vendedor”, mas sim como um local que oferece um projeto atraente. A formação de atletas revelados nas categorias de base do próprio clube, recrutando principalmente jovens da região norte da Noruega, é um diferencial valorizado.

O coach “de guerra” e a preparação mental

Nos bastidores, o Bodo/Glimt investe em um preparo mental diferenciado, liderado por Bjorn Mannsverk, um ex-piloto de caça de guerra com mais de duas décadas de experiência militar. Sem formação formal em psicologia esportiva, Mannsverk foi convidado em 2017 para trabalhar com a mentalidade dos jogadores, aplicando lições aprendidas na Força Aérea. O resultado foi notável, eliminando o medo de alguns atletas em momentos cruciais de jogo. Essa metodologia se tornou um “mantra” no clube, sendo aplicada não apenas aos jogadores, mas também à administração e às categorias de base, moldando a cultura organizacional.

Dedicacão total do técnico e um ambiente de aprendizado

O técnico Kjetil Knutsen exemplifica a dedicação ao clube, morando a poucos metros do estádio e dedicando praticamente 100% do seu tempo ao Bodo/Glimt. Sua proximidade com a equipe e sua experiência como ex-professor contribuem para a criação de um ambiente de aprendizado e colaboração. A família de Knutsen reside em uma cidade distante, mas sua dedicação integral ao clube é um pilar fundamental para o sucesso e a coesão da equipe, reforçando o espírito familiar e de comunidade que define o Bodo/Glimt.

Fonte: www.espn.com.br

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