Comissão de Justiça emite alerta grave sobre possível intervenção judicial no Corinthians
Os bastidores do Corinthians estão agitados com a iminente reunião extraordinária convocada pelo presidente Osmar Stabile. O encontro, marcado para a próxima segunda-feira (23) na sede social do clube, tem como pauta principal a votação sobre o afastamento provisório de Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo. No entanto, a iniciativa de Stabile gerou forte reação e um alerta contundente da Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo.
Em ofício enviado ao presidente Stabile, conselheiros da Comissão de Justiça apontam para o “risco iminente de intervenção judicial que a insistência nesta medida temerária expõe o Clube”. O documento, assinado por Corinto Baldoino Parreira e Costa, André Moreno, Alexandre Silveira e Fausto de Totti, recomenda o cancelamento da reunião, alegando vício de competência, ilegalidade da convocação e violação ao devido processo estatutário.
Ilegalidade na convocação e ciência do Ministério Público
A Comissão de Justiça manifestou-se formalmente contrária à realização da reunião, citando que o Ministério Público do Estado de São Paulo já foi cientificado sobre o que consideram um “ato administrativo irregular”. O ofício destaca que a insistência na medida pode levar a uma intervenção judicial, conforme já tramita no Inquérito Civil 695.708/2025. Essa apuração foi motivada após provocação de conselheiros e sócios do clube, que alegaram “possível ato administrativo irregular”.
A disputa entre Osmar Stabile e Romeu Tuma Jr. se intensificou após o presidente do Corinthians convocar a reunião extraordinária, justificando a necessidade de preservar a lisura do procedimento disciplinar e garantir a liberdade de manifestação. Stabile acusou Tuma Jr. de ameaçá-lo durante uma reunião do Conselho Deliberativo, alegação negada veementemente pelo presidente do Conselho.
Romeu Tuma Jr. rebate e classifica ação como “golpista”
Romeu Tuma Jr. reagiu com indignação à convocação, classificando-a como um “ato juridicamente nulo, institucionalmente temerário e uma traição ao estatuto”. Ele acusou Stabile de protagonizar uma “manobra de inequívoco caráter golpista” e violar o Artigo 82 do estatuto, que estabelece o rito para convocação de reuniões extraordinárias do Conselho Deliberativo. Tuma Jr. também criticou o desrespeito à Comissão de Ética e a tentativa de centralizar decisões sem prestar contas.
“Chega a ser desprezível o presidente desrespeitar até mesmo a Comissão de Ética do Conselho Deliberativo”, declarou Tuma Jr., que detalhou ter registrado um Boletim de Ocorrência sobre uma discussão ríspida com um associado, onde citou a presença de seguranças do clube e a inação do presidente.
Vice-presidente do CD aponta vício formal e lamenta instabilidade
Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo, também se manifestou sobre a convocação, apontando um “vício formal na origem da convocação”. Ele afirmou que a reunião não contou com seu conhecimento ou anuência e que o Estatuto Social atribui ao Presidente do Conselho Deliberativo a competência exclusiva para tais convocações. Pantaleão lamentou o momento de instabilidade e reafirmou a importância do respeito às normas estatutárias para a preservação da segurança jurídica e institucional do clube.
Relembre a tensão entre Stabile e Tuma Jr.
A atual crise remete a um episódio anterior, quando Osmar Stabile acusou Romeu Tuma Jr. de ameaça após uma discussão em uma pizzaria. Tuma Jr. negou as acusações e registrou um Boletim de Ocorrência sobre a intimidação sofrida por um associado, citando a presença de seguranças do clube. Este é o segundo pedido de afastamento de Romeu Tuma Jr. por um presidente do clube, após um requerimento anterior de Augusto Melo, que não obteve sucesso.
Fonte: www.espn.com.br
