Pioneiro do Jornalismo Online de Surfe Desencarna em São Paulo
A comunidade do surfe brasileiro está de luto. Na noite de quinta-feira, em São Paulo, faleceu Alceu Toledo Júnior, mais conhecido como Juninho Eterno, aos 66 anos. Juninho foi um dos grandes pioneiros do jornalismo online dedicado ao surfe no Brasil. Durante fases cruciais do portal Waves, desde sua fundação em 1998, ele atuou como editor-chefe e diretor de conteúdo, deixando uma marca indelével.
Um Legado de Generosidade e Formação Profissional
Descrito como anárquico, generoso e um formador de dezenas de profissionais que hoje brilham no mercado, Juninho dedicou sua carreira à cobertura do esporte que amava. Atualmente, ele era editor do site e assinava a coluna “Anarquilha”, onde mesclava seu profundo conhecimento de surfe com sua paixão por música. Sua influência se estendeu por veículos importantes como Hardcore, Alma Surf e Fluir, onde iniciou sua trajetória no universo do surfe e, em todos eles, deixou sua assinatura editorial única. No Waves, onde passou 20 anos em dois períodos distintos, Juninho transcendeu a liderança editorial, tornando-se um pilar na construção da cultura do portal.
Mais Que um Editor, um Mentor Inspirador
A contribuição de Juninho vai muito além da produção de conteúdo. Ao longo de décadas, ele abriu portas e ofereceu oportunidades para uma vasta gama de talentos no jornalismo e na fotografia do surfe. Para muitos, ele foi o primeiro a depositar confiança, a primeira chance de publicar um texto e, frequentemente, o ponto de partida para uma carreira promissora. Nomes como Nancy Geringer, Ricardo Macario, Ader Oliveira, Steven Allain, Fernando Iesca, Aleko Stergiou, Erick Nagata, José Roberto Annibal, Gerson Filho, Thiago Rausch, Mariano Kornitz, Herbert Passos, Sylvio Mancusi, Rafael Sobral e Xandão Barros são apenas alguns dos muitos profissionais que tiveram a sorte de serem formados sob sua orientação.
Um Espírito Forte e Apaixonado por Múltiplas Culturas
Conhecido por sua franqueza, intensidade e temperamento forte, Juninho era fiel às suas convicções. Ele não apenas moldou conteúdos, mas também inspirou e desenvolveu pessoas. Seu estilo direto, por vezes desafiador, vinha acompanhado de uma rara disposição para ensinar e impulsionar o crescimento daqueles ao seu redor. Essa combinação de olhar crítico e compromisso com o desenvolvimento humano deixou um impacto profundo em diversas gerações da mídia de surfe. Juninho também possuía uma vasta cultura musical, escrevendo sobre suas bandas favoritas para jornais como a Folha de S. Paulo e chegando a gerenciar a banda punk Ratos de Porão, além de colaborar em algumas de suas músicas. Fã de Frank Zappa, dedicou diversos textos ao músico. Santista fanático, tornou-se um torcedor ilustre após um infarto durante uma final de campeonato. Seu espírito anárquico e rebelde o aproximou de figuras como o surfista Dadá Figueiredo, amigo e ídolo declarado. Juninho deixa um legado inestimável, lembrado por sua personalidade única, inquieta e autêntica.
Legado e Solidariedade à Família
O Waves se solidariza com os familiares e amigos de Juninho Eterno. Ele deixa três filhos – Caio, Daniel e Luiza – e seu legado permanece vivo na memória daqueles que ajudou a formar e na própria história do surfe brasileiro. Informações sobre o velório e cremação, previstos para ocorrerem neste sábado em São Paulo, serão divulgadas em breve.
Fonte: www.waves.com.br
