A Ignorância que Quase Custou Caro
O surfista, que prefere não ter seu nome divulgado além de “Fink”, compartilha uma história de superação e alerta sobre os perigos da exposição solar sem os devidos cuidados. Com a pele clara e traços finos, ele se encaixava no perfil de risco para câncer de pele, mas a juventude e a falta de conhecimento o levaram a negligenciar a proteção, especialmente nos lábios.
“Eu costumo dizer que o câncer de pele foi como mais uma lesão no esporte: assim como já torci o tornozelo, rompi ligamento ou quebrei o braço para aprender uma manobra ou ganhar um campeonato, eu tive que passar por isso para aprender a respeitar alguns limites”, relata Fink, comparando a gravidade da situação a lesões esportivas que já enfrentou.
Ele confessa que, apesar de usar protetor no rosto, ignorava completamente a necessidade de um protetor labial. “Tinha uma falta de conhecimento de que eu precisava usar um protetor labial, que era preciso ter uma atenção dobrada com a pele da boca”, admite.
O Sinal que Não Sumia
A virada de chave aconteceu em 2021, quando uma ferida no lábio, que ele inicialmente tratou como queimadura de sol, se recusou a cicatrizar. Sem dor ou sangramento, a lesão persistiu por semanas e meses, evoluindo para uma protuberância com uma casquinha que não caía. A preocupação aumentou quando a aparência se tornou notavelmente desagradável.
Por sorte, sua madrinha, que é dermatologista, notou a persistência da ferida e o encaminhou para o marido dela, um microcirurgião. A avaliação inicial foi direta e impactante: “Pode ser câncer de pele”.
O Susto do Diagnóstico e o Tratamento Intensivo
A confirmação veio após uma biópsia realizada na hora: melanoma. Aos 22 anos, ouvir a palavra “câncer” foi um choque avassalador. “Ouvir a palavra ‘câncer’ associada ao seu nome é uma sensação bizarra. A ficha cai e você percebe o quanto foi negligente de ignorar os avisos”, desabafa.
Devido ao estágio avançado, Fink precisou passar por uma nova cirurgia para remover uma margem de segurança ao redor da área afetada. Em seguida, realizou um tratamento quimioterápico com pomada para eliminar quaisquer células remanescentes. O processo o afastou das ondas por três meses, um período desafiador, especialmente com a necessidade de usar máscara e pomadas protetoras em qualquer saída.
Uma Nova Rotina e uma Missão de Conscientização
Nos dois anos seguintes, foram necessários mais cinco procedimentos para remover pequenas manchas que surgiam, um processo que deixava seu lábio com casquinhas, mas essencial para sua recuperação. Hoje, cinco anos após o diagnóstico, a situação está estabilizada, mas o cuidado é inegociável.
Fink não sai de casa sem proteger os lábios com protetor solar e labial, e faz check-ups anuais. Ele se tornou um porta-voz, quebrando barreiras sobre a masculinidade e o cuidado com a pele entre colegas surfistas. “Se o meu erro servir para que um moleque de 15 anos pare, passe o protetor labial e solar e não precise passar por uma cirurgia na boca como eu passei, minha missão está cumprida”, afirma.
Sua história inspirou muitos a adotarem hábitos mais seguros sob o sol, provando que é possível desfrutar do surfe e do mar com responsabilidade e proteção. Recentemente, ele realizou o sonho de surfar as ondas gigantes de Nazaré de skimboard, uma conquista pessoal impulsionada pela sua nova perspectiva de vida.
Fonte: www.waves.com.br
