Gilberto Silva defende o Arsenal de críticas de ‘pipoqueiro’ e relembra invencibilidade histórica de 2004

Bastidores dos ‘Invencíveis’: a mentalidade de um time campeão sem derrotas

A temporada 2003/04 do Arsenal ficou marcada na história do futebol inglês como a única vez em que um time conquistou a Premier League de forma invicta. Gilberto Silva, volante fundamental naquela campanha vitoriosa, relembrou em entrevista exclusiva como era a mentalidade do vestiário dos ‘Invencíveis’. Segundo o brasileiro, a derrota não era uma opção fácil de ser aceita.

“Ninguém aceitava perder, muito menos perder de forma boba. A derrota não era aceita com facilidade. Se a outra equipe nos vencesse, ela precisaria demonstrar um nível muito alto. Em vários jogos em que saímos atrás no placar, não aceitávamos aquilo com naturalidade”, disse Gilberto Silva. Ele ressaltou a crença inabalável do time em reverter situações adversas: “A gente acreditava até o final e fazia de tudo para reverter a situação”.

Arsène Wenger: o maestro tranquilo que sabia ‘apertar o botão certo’

O ex-jogador também comentou sobre o estilo de gestão do lendário técnico Arsène Wenger, ídolo do clube e que comandou o Arsenal por 22 anos. Gilberto Silva descreveu o treinador como tranquilo, contrastando com outros técnicos mais agitados que já teve.

“Ele (Wenger) era tranquilo. Já trabalhei com treinadores bem mais agitados na hora de cobrar. Mas ele sabia lidar com o grupo — sabia ‘apertar o botão certo’ de cada jogador quando necessário, seja individualmente ou coletivamente”, afirmou. A clareza na comunicação e a exigência de cumprimento de papel eram marcas registradas de Wenger: “Ele transmitia suas ideias de forma clara e simples, facilitando a compreensão, mas exigindo que cada um cumprisse seu papel. Até porque, se você não cumprisse o seu papel, saía do time — simples assim. Ele colocava outro e não tinha conversa”.

A campanha histórica e o time-base de 2004

Na temporada 2003/04, Arsène Wenger conquistou seu terceiro título inglês com o Arsenal, elevando o clube a 13 títulos da competição. O time-base contava com estrelas como Lehmann; Lauren, Kolo Touré, Campbell e Ashley Cole; Ljungberg, Patrick Vieira, Gilberto Silva e Pirès; Bergkamp e Henry. A campanha foi impressionante: 26 vitórias, 12 empates e nenhuma derrota. O ataque marcou 73 gols, enquanto a defesa sofreu apenas 26.

Gilberto Silva rebate fama de ‘pipoqueiro’ e aponta reestruturação do Arsenal

Atualmente, o Arsenal de Mikel Arteta amarga uma sequência de três vices consecutivos na Premier League, o que gerou para o clube a fama de ‘pipoqueiro’ entre os torcedores. Gilberto Silva discorda veementemente dessa alcunha.

“Acho que isso de falarem que o Arsenal é ‘pipoqueiro’ é porque as pessoas devem acompanhar pouco o que aconteceu nos últimos anos com o time. O Arsenal passou por um período difícil no pós-Wenger, ficando fora das principais competições europeias. Mas houve uma reestruturação nos últimos anos”, defendeu. Ele destacou a dificuldade de brigar pelo título por três temporadas seguidas: “Chegar três vezes seguidas brigando pelo título não é fácil. Óbvio que gera frustração, principalmente para a torcida, que realmente é exigente, mas que também tem apoiado bastante”.

O ex-volante concluiu pedindo apoio da torcida para quebrar o jejum de mais de 20 anos sem o título inglês: “Óbvio que vai ter sempre a frustração quando perde, mas de agora para frente o apoio da torcida será fundamental para que esse tão esperado título, que já tem mais de 20 anos, aconteça, para sair da fila de espera e acabar com a ‘língua dos fofoqueiros’ “. O Arsenal volta a campo neste domingo (19), às 12h30 (de Brasília), para enfrentar o Manchester City, em partida crucial pela Premier League, com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.

Fonte: www.espn.com.br

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