Escalada de Tensão no Parque São Jorge
O ambiente no Corinthians está mais uma vez agitado por um conflito interno de alta gravidade. O presidente da diretoria, Osmar Stabile, convocou uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para esta segunda-feira (23), com o objetivo de votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho. A medida surge após Stabile registrar uma representação contra Tuma Jr. na Comissão de Ética do clube.
A Acusação e a Justificativa de Stabile
A convocação, baseada no artigo 112 do estatuto corintiano, visa, segundo Stabile, “preservar a lisura do procedimento disciplinar, de garantir liberdade de manifestação das testemunhas, a serenidade da instrução, a confiança dos conselheiros e das testemunhas, a imagem institucional do clube e de regularizar o procedimento de reforma estatutária”. O embate entre os dirigentes se intensificou após uma reunião do Conselho no último dia 9 de março, quando Stabile acusou Tuma Jr. de tê-lo ameaçado nas dependências do clube, com a frase: “Ou faz o que eu quero ou vou te f****”. A alegação foi veementemente negada por Romeu Tuma Jr.
A Reação de Tuma Jr. e a Defesa do Estatuto
Romeu Tuma Jr. reagiu com veemência à convocação de Stabile, classificando-a como um “ato juridicamente nulo, institucionalmente temerário e uma traição ao estatuto”. Ele acusa o presidente da diretoria de protagonizar uma “manobra de inequívoco caráter golpista” e argumenta que a competência para convocar o Conselho Deliberativo é exclusiva do presidente deste órgão, conforme o artigo 82 do estatuto. Em sua manifestação, Tuma Jr. expressou indignação, citando a violação do rito estatutário e a falta de notificação e contraditório. Ele também criticou o que considera desrespeito à Comissão de Ética e uma tentativa de evasão de responsabilidades por parte de Stabile.
Vício Formal na Convocação, Segundo Vice-Presidente do Conselho
Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo e presidente da Comissão de Ética, também se manifestou, apontando um “vício formal na origem da convocação”. Pantaleão declarou que a convocação não contou com seu conhecimento ou anuência e que, sob o prisma técnico-jurídico, o Estatuto Social, em seu art. 82, inciso II, alínea ‘b’, atribui ao Presidente do Conselho Deliberativo a competência exclusiva para convocar o colegiado. Ele lamentou o momento e ressaltou a importância do respeito às normas estatutárias para a estabilidade institucional.
Relembrando o Caso Stabile x Tuma
A tensão entre Stabile e Tuma Jr. não é nova. Durante a reunião do Conselho Deliberativo em março, a acusação de ameaça por parte de Tuma Jr. foi o estopim. Stabile relatou que Tuma Jr. lhe disse: “Ou você faz o que eu quero ou eu vou te f…”. Romeu Tuma Jr., por sua vez, negou a acusação e lamentou a atitude de Stabile, sugerindo que o presidente da diretoria deveria ter buscado os mecanismos estatutários. Tuma Jr. também revelou ter registrado um Boletim de Ocorrência na sexta-feira (06) após uma discussão ríspida com um associado nas dependências do Parque São Jorge, na qual teria citado a presença de seguranças do clube e a possível recontratação de um ex-segurança investigado por sabotagem.
Antecedentes e a Crise Institucional
Este é o segundo pedido de afastamento que Romeu Tuma Jr. enfrenta desde que assumiu a presidência do Conselho Deliberativo. Em janeiro, ele foi alvo de um requerimento de Augusto Melo, então presidente da diretoria, por suposta falta de imparcialidade no processo de impeachment. A atual crise institucional levanta preocupações sobre a Reforma Estatutária, cuja Assembleia Geral de sócios está convocada para 18 de abril, e sobre a capacidade de gestão e fiscalização dentro do clube.
Fonte: www.espn.com.br
