Tensão no Oriente Médio levanta dúvidas sobre participação iraniana no Mundial
A escalada de conflitos no Oriente Médio, com ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, gerou um novo cenário de incerteza para a participação da seleção iraniana na Copa do Mundo. A possibilidade de um boicote ao torneio foi levantada pelo próprio presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, que declarou à televisão estatal que o atual contexto impede a esperança de disputar o Mundial. Diante da situação, o campeonato nacional iraniano também foi suspenso.
Irã, classificado pela quarta vez consecutiva, enfrenta dilema
A seleção iraniana, conhecida como “Team Melli”, garantiu sua vaga em março do ano passado, marcando sua sétima participação e a quarta consecutiva em Copas do Mundo. A equipe está no Grupo G do torneio, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com partidas agendadas para Los Angeles e Seattle. A escolha de Los Angeles ganha um peso adicional por abrigar uma significativa comunidade iraniana, com parte da diáspora expressando apoio à dinastia Pahlavi.
FIFA adota cautela e aguarda desdobramentos
A FIFA tem mantido uma postura cautelosa diante da crise. O secretário-geral da entidade, Mattias Grafstrom, afirmou que é prematuro comentar sobre detalhes, mas assegurou que a organização está acompanhando de perto os acontecimentos. Fontes próximas à FIFA indicam que, até o momento, não houve conversas formais sobre uma possível desistência iraniana. A situação se torna ainda mais delicada com a contagem regressiva de 100 dias para a abertura do torneio, podendo gerar desconforto para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que busca manter uma relação próxima com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Regulamentos e precedentes em caso de ausência
Os regulamentos da Copa do Mundo não preveem explicitamente a possibilidade de boicote por seleções já classificadas. Em caso de retirada por força maior, o Artigo 6º do regulamento da Copa de 2026 estabelece que a FIFA decidirá sobre o assunto a seu exclusivo critério, podendo inclusive substituir a equipe por outra associação membro. A tendência, caso o Irã se ausente, seria a vaga ser preenchida por outra seleção asiática. Houve precedentes de boicotes em Jogos Olímpicos, mas não em Copas do Mundo. Em 1950, seleções desistiram por motivos financeiros ou condicionais. Já na Eurocopa de 1992, a Iugoslávia foi substituída pela Dinamarca devido à guerra nos Bálcãs, com a equipe dinamarquesa sagrando-se campeã. Desde fevereiro de 2022, a Rússia está suspensa de competições internacionais organizadas pela FIFA e UEFA devido à invasão da Ucrânia.
Fonte: jovempan.com.br
